sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Capítulo XIX - Passei no vestibular e fui estudar Direito na USP.

Logo depois de começar a trabalhar como Oficial de Justiça eu me inscrevi em um cursinho preparatório para o vestibular. Escolhi o Anglo, situado na Rua Sergipe, no Bairro da Consolação. Fui fazer o cursinho à noite, porque durante o dia eu trabalhava. Não foi uma época fácil, porque não basta apenas ir às aulas: é preciso revisar toda a matéria dada em classe. Eu assistia a todas as aulas, raramente perdia alguma, anotava tudo. Mesmo quando o professor era ruim eu estava presente, porque sempre se aprende alguma coisa.
De uma maneira geral, o cursinho era bom, a turma era exigente com o nível dos professores. Tinha uma galera que sentava no fundo da sala e só queria zoar, como freqüentemente ocorre. Mas a maioria, como eu, estava lá para estudar e passar no vestibular.
Fiz amizade com uma garota nesse cursinho (nota B-). Chegamos a ir ao cinema juntos, tentei dar uns beijos nela, mas ela recusou, alegando que tinha noivo.
Veio a primeira fase do vestibular para a USP (realizado pela FUVEST) e, como ocorrera nos anos anteriores, eu passei com larga margem de folga. O duro seria a segunda fase, já que nos dois anos anteriores eu tinha sido reprovado na segundo fase.
Mas na minha terceira tentativa a coisa foi diferente: fui aprovado no vestibular da Faculdade de Direito da USP em 19º lugar, concorrendo com mais de dez mil candidatos. E mais: fui aprovado com nota dez em redação! Fiquei com a alma lavada, pelas razões que vimos no Capítulo __.
Eu me lembro exatamente do momento em que vi o resultado do vestibular: era um fim de tarde, eu estava na Praça da Sé, tinha cumprido uns mandados no centro e comprei uma dessas edições especiais de jornal que trazia o resultado do vestibular. Em pé, no meio do barulho da multidão, procurei e achei meu nome na lista dos aprovados para o curso de Direito. Olhei de novo, para ter certeza de que era meu nome mesmo. Eu não podia acreditar que, em menos de um ano, minha vida tinha virado completamente.
Voltei para casa e minha mãe já tinha visto o resultado e estava radiante. Meu pai chegou do trabalho, fomos comemorar eu, meus pais e meu irmão no Terraço Itália. Trata-se de um ótimo restaurante situado na parte de cima do Edifício Itália, onde a vista é linda à noite, sendo possível ver uma grande parte da cidade de São Paulo. Eu comi um prato à base de carne de porco nesse jantar. O valor da conta foi equivalente a um terço do meu salário mensal, mas aquela era uma noite especial! O Terraço Itália até hoje é um lugar especial para mim.
Ter insistido em fazer Faculdade de Direito na USP foi uma das coisas certas que eu fiz na vida (digo “ter insistido” porque só fui aprovado na terceira tentativa). Na verdade, o nível dos professores não é o diferencial da Faculdade de Direito da USP: eu tive excelentes professores, tive professores razoáveis e professores péssimos. Em outras palavras, é o que ocorre em qualquer Faculdade razoável.
Dos excelentes professores, posso citar em primeiro lugar Vicente Greco Filho, de processo civil. Também eram excelentes Antônio Cláudio da Costa Machado (o único defeito dele era de vez em quando fazer pregação religiosa na hora da aula, o que eu achava um absurdo, especialmente porque estávamos em uma escola pública em um Estado laico), Antônio Scarance Fernandes, Maria Sylvia Zanela di Pietro e Eduardo Marky (respectivamente, de processo civil, processo penal, administrativo e direito romano). Houve alguns outros que eram bons, mas não dá para mencionar todos. E alguns péssimos, que mereceriam ser mencionados por isso, mas que vou deixar de fazê-lo.
A Faculdade de Direito da USP fica no Largo São Francisco. Por um lado, isso facilitou muito a minha vida, porque eu trabalhava no centro. Contudo, eu tinha certa inveja dos outros cursos, que eram no campus da USP, situado no Butantã. O campus da USP era muito bonito e tinha até um clube, aberto para todos os estudantes, de graça. Cheguei a freqüentá-lo, mas teria aproveitado mais se estudasse no campus e não tivesse que trabalhar.
No dia da matrícula, eu estava morrendo de medo de levar trote e ter a cabeça raspada. É que eu já era Oficial de Justiça e seria muito complicado ficar careca, especialmente quando eu tivesse de ir a um presídio ou a uma delegacia. Tinha medo até de responder a um processo administrativo ou sindicância por estar com aparência inadequada para a função.
Eu expliquei a situação para umas meninas do Centro Acadêmico (conhecido pelo nome de XI de Agosto ou simplesmente “onze”). A matrícula era feita em uma das salas da Faculdade e não estava sendo permitida a entrada de veteranos no prédio. Escoltado por duas meninas do XI, eu estava entrando no prédio quando eu (e não elas) fui barrado por um segurança, que me disse assim:
- Veterano não pode entrar!
As meninas, que não tinham sido barradas, explicaram para os seguranças que eu era calouro e iria fazer a matrícula. Entrei no prédio, fiz a matrícula. Na saída, um bando de veteranos estava na porta, com tesoura, pincel, tinta etc. Eu ainda estava com as meninas do XI, que falaram para os veteranos que eu não poderia levar trote. Eu então puxei a carteira de Oficial de Justiça, disse que eu não poderia ficar careca, os veteranos acharam a coisa divertida e me deixaram ir embora.
Na primeira semana de aula eu simplesmente não compareci. Fui na segunda semana, achando que a coisa seria tranqüila. Fui até o XI (nós chamávamos esse local de “porão”) para ver como era a coisa. Uns veteranos me cercaram, viram que eu era calouro, e um deles me ameaçou de um jeito muito engraçado:
- Ou você paga cerveja para a gente ou o Vitão chupa o seu pau!
Outro veterano completou:
- É melhor a gente segurar logo o calouro, porque ele pode tentar reagir...
O Vitão era um sujeito divertidíssimo, moreno escuro, com um bigode e se comportava como se fosse gay. Ele não era estudante, mas sim funcionário do Departamento Jurídico do XI, órgão que presta assessoria jurídica gratuita para os pobres. Rolava um papo que o Vitão não era gay coisa nenhuma, que era puro fingimento, que ele seria casado e com filhos etc. Seja como for, com ele a diversão era garantida, porque ele era engraçadíssimo.
Diante da “ameaça” eu me dispus a pagar cerveja para os caras, achando o trote divertido. Eles me falaram que trote violento é coisa de fascista e que a esquerda só dava “trote etílico”. Bebemos umas cervejas juntos, eu morri de rir com as brincadeiras do Vitão, e depois fui assistir a minha primeira aula.
No primeiro ano da Faculdade, eu entrei para a Academia de Letras. Um dos motivos de intensa vida acadêmica na São Francisco era a existência do Centro Acadêmico XI de Agosto (conhecido como “onze”), da Associação Atlética Acadêmica XI de Agosto (conhecida como “Atlética”), da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo (conhecida como “Academia de Letras”) e do Coral (conhecido, óbvio, como “coral”). Essas entidades promoviam eventos e festas.
Um desses eventos era a récita de poesias, organizada pela Academia de Letras, que ocorria no começo do ano letivo. Íamos todos de terno, tinha vinho de graça (depois que eu entrei para a Academia, a qualidade do vinho subiu bastante, até porque piorar seria impossível...), e quem queria poderia recitar poesia. Era muito legal, os calouros adoravam e as calouras achavam o máximo conhecer uns caras intelectualizados, diferentes dos caras que elas tinham conhecido no colegial.
Imagine a situação: chegar na prestigiada Faculdade de Direito do Largo São Francisco e ser recebido com trotes idiotas, por parte de alguns veteranos, ou com vinho e poesia, por parte dos integrante da Academia de Letras...
A Academia de Letras era considerada por alguns como “elitista”, porque para ser admitido era preciso se submeter e ser aprovado em um concurso, organizado pela própria Academia de Letras. Eu fui admitido no primeiro ano. Mas em um determinado ano, decidimos mudar essa regra sem que ninguém soubesse: aprovamos todos os candidatos.
Sempre neguei o caráter “elitista” da Academia de Letras. Mas tinha algo que não só eu não negava, como fazia questão de afirmar explicitamente: a Academia de Letras nada mais era do que uma arapuca para pegar caloura. A récita de poesias, por exemplo, era uma das arapucas mais eficazes.
No meu primeiro ano de Faculdade não comi nenhuma colega de Faculdade. Apenas dei uns amassos em uma garota muito bonita (na época, nota A-) da turma da manhã em uma festa. Politicamente, o pai dela estava situado no “campo inimigo”, o que obviamente deixava a coisa mais picante. Ela me deu carona até em casa, achei que ia rolar sexo, mas as amigas dela foram juntas no carro. Meus planos foram inviabilizados, eu fiquei puto da vida e não comi a mina. Valeu a regra: bixo tem que se fuder.
Durante os quatro primeiros anos da Faculdade eu não assistia muito às aulas. Não tinha sequer caderno. O meu negócio era querer curtir a Faculdade. E hoje vejo que errei para menos: eu deveria ter assistido menos aulas ainda e participado mais das atividades proporcionadas pela Faculdade. Digo isso porque é possível estudar depois da Faculdade, mas a vida acadêmica não volta. E mesmo que a pessoa resolva fazer uma segunda faculdade, não será a mesma coisa. Mas, infelizmente, ninguém tem 100% de aproveitamento.
Só no quinto ano eu achei que deveria estudar. Foi quando eu passei a ter caderno e a assistir aulas. Estava com uma namorada à sério desde o ano anterior, que era a loura mais linda da Faculdade (padrão Suécia, nota A+), além de ser a melhor aluna da turma dela. Nada mais óbvio: a melhor aluna resolve namorar o cara mais vagabundo, que só ficava batendo papo no corredor e enchendo a cara no Centro Acadêmico. Pela primeira vez, amei de verdade e pude perceber a diferença entre apenas desejar uma mulher e querê-la para o resto da vida. Por isso, todas as minhas farras com mulherada ocorreram até o terceiro ano da Faculdade. Anos depois nos casamos, quando eu assumi ou cargo de Procurador do INSS. Ficamos casados por mais de dez anos, não tivemos filhos, e a separação veio antes dos meus atuais 40 anos. Depois eu me apaixonei por uma autêntica fraulein, mas essa história somente será contada se eu for escrever o livro “Consultor do Senado aos 39 anos”...
A verdade é que para passar nas provas não era preciso estudar. Com exceção de Processo Penal, porque as provas do Scarance eram realmente difíceis, em todas as demais matérias os professores davam provas fáceis. Aí fiquei condicionado a não estudar.
O curioso dessa história toda é que minha carreira profissional não veio seguir exatamente os bons cursos que tive na Faculdade. O meu curso de direito comercial, por exemplo, tinha sido um desastre, mas no meu primeiro emprego como advogado recém formado fui trabalhar justamente nessa área. Outro dado curioso é que nem todos os alunos que tiravam boas notas na Faculdade foram os que se deram melhor profissionalmente.
Na época, tínhamos uma visão um tanto romântica da advocacia. É que tínhamos visto os advogados com cinco ou dez anos de formados muito bem de vida, pois eles tinham ganhado muito dinheiro com o desbloqueio dos cruzados no Plano Collor. Por isso grande parte dos meus colegas acabou optando pela advocacia, seja abrindo escritório próprio, seja fazendo carreira em grandes escritórios. Muitos se deram muito bem. Voltarei a essa questão no Capítulo __.
Um dos eventos mais divertidos da Faculdade era a peruada, que ocorria anualmente. Um misto de carnaval com protesto político, com muita birita, a peruada começava de manhã e não tinha hora para acabar.
A peruada mais divertida da qual participei foi justamente a que não deu certo, porque a polícia não deixou a gente sair da Faculdade. É que a peruada era assim: primeiro a galera ficava bebendo na Faculdade e depois saia em passeata pelo centro da cidade, com carro de som e tudo. Nesse ano, por razões que eu desconheço, a polícia fez um cordão de isolamento e ninguém conseguiu sair. Ficamos bebendo mais do que nos anos anteriores e, óbvio, a coisa foi ficando pior.
Eu tinha bebido muita pinga com groselha e num dado momento vomitei horrores na porta da Faculdade. Fui socorrido por um amigo, que soltou a seguinte frase em alusão às minhas posições políticas:
- Porra, até o vômito do Bruno é vermelho!
Ainda muito bêbado, eu ia para cima das meninas de uma forma pouco cortês. Até aí, nada demais, porque estava quase todo mundo bêbado mesmo. Só que em vez de abraçar e beijar as meninas, eu as mordia. Imagine a cena: a menina espera um beijo nos lábios e recebe uma mordida...
Não fosse o bastante, eu abordava algumas garotas e passava subitamente a mão na bunda delas. Pelo que me reportaram à época, eu não as discriminava: as feias e bonitas eram objeto dos meus atos que estavam muito mais para infantis do que para libidinosos.
O fato mais engraçado dessas investidas ocorreu quando, de surpresa, eu passei a mão na bunda de uma menina muito bonita, que parecia uma boneca de porcelana, mas que tinha namorado. Eu tive a impressão de que a menina teria me dado um tapa na cara. Fui perguntar a um amigo (que estava muito menos bêbado do que eu) o que teria ocorrido e ele me respondeu o seguinte:
- Não, Bruno, você não levou um tapa na cara: a menina realmente se virou para te dar um tapa, mas quando viu que era você, ela apenas encostou a mão no seu rosto. Então você falou para ela algo como “se você botar uma roupa de couro, eu topo” e ela começou a rir.
Acabei o dia tomando glicose na veia. Algumas pessoas saíram de ambulância da Faculdade, mas eu consegui ir de ônibus até em casa e, de lá, fui levado pela minha mãe para o hospital.
Eu tinha até ficado envaidecido com a história da menina que desistiu de me dar um tapa. O problema é que eu fiquei com medo do namorado dela (que politicamente era do “campo inimigo”, para variar...) saber da história e querer me dar porrada. Hoje tenho certeza de que ele não ficou sabendo, mas na época passei ao menos uma semana estressado, cheguei até a falar com os seguranças da Faculdade que eu estava recebendo ameaças e que precisava de “proteção”. Acho que a piração da peruada se prolongou por uns dias...
Uma atividade bastante popular entre os alunos era os jogos jurídicos, disputados entre as várias faculdades de direito, normalmente realizada em alguma cidade do interior. Lá a nossa rivalidade maior era com a PUC-SP. Tinha de tudo: musiquinha sacaneando eles, pegação, briga etc. Eu só fui uma vez aos jogos jurídicos, mas tinha uma galera que ia todos os anos.
Havia também os encontros estadual e nacional de estudantes de direito, nos quais a rivalidade entre as faculdades não era tão marcante, rolava um bom entrosamento e, óbvio, sempre rendia mulher. Em um desses eventos, realizado nas dependências do Mineirão, em Belo Horizonte, eu comi uma mina no alojamento ocupado pelos alunos de uma Faculdade do interior paulista. O problema é que fui pego em pleno ato pelos caras, que obtiveram uma segunda chave. Um cara do Centro Acadêmico dessa Faculdade ficou puto da vida comigo, me deu esporro, disse que eu não poderia ter usado o alojamento deles para isso etc. Algum tempo depois, por azar do cara, eu o encontrei em um evento musical em São Paulo traindo a namorada... Ele me viu e tentou fugir, mas não adiantou: eu peguei o cara no flagra. Aí foi a minha desforra.
A Faculdade tinha um bandejão, que era a comida fornecida a preço subsidiado, que era servida no “porão”. Eu cheguei a comer no bandejão várias vezes, achava a comida péssima. Mas tinha gente que gostava e dizia que, nas férias, ficava com saudade da comida do bandejão. Eu ficava imaginando como seria a comida na casa dessas pessoas...
As bibliotecas da Faculdade eram muito boas. Às vezes eu fazia alguma pesquisa e vinham maravilhosos livros antigos, às vezes escritos em um português diferente, em razão das várias alterações ortográficas que nossa língua sofreu em um passado relativamente recente. Acho que por causa disso adquiri uma certa paixão por estudar a teoria do direito com profundidade, o que se manifestou quando escrevi o Direito de empresa: teoria da empresa e direito societário, lançado pela Atlas em 2007. Evidentemente, esse livro não fez tanto sucesso quanto o Compra de imóveis: aspectos jurídicos, cautelas devidas e análise de riscos, que em 2009 já estava na sua 7ª edição. No Capítulo __, voltarei a tratar desse assunto.
As eleições para o XI eram disputadíssimas. Havia, basicamente, quatro grupos políticos: os “amarelos”, que eram reputados como sendo “direita” e supostamente ligados ao PSDB, e a “rasgando o verbo”, que reputada como “esquerda”, supostamente herdeira de um outro grupo, por sua vez supostamente ligados ao PT. Havia mais dois grupos, a “Pô, ética”, supostamente de orientação trotskysta, e a “Jihad”, que poderíamos identificar com a extrema-direita (a despeito do nome, eles não eram formados por muçulmanos e tinham dois descendentes de árabes cristãos). Os “amarelos” e a “rasgando” se alternaram no poder durante minha época de Faculdade. Eu procurava ficar eqüidistante de todos esses grupos, porque eu era da Academia de Letras e dependia do XI (especialmente na parte financeira) para fazer nossos eventos de caráter literário e etílico. Muito divertido era o debate entre as chapas, mediado pela Academia de Letras. Era sempre assim: o mediador tentando fazer o debate ser sério, algumas chapas só zoando, e o público passional em êxtase, vibrando com as discussões e troca de acusações entre os grupos. Em uma das ocasiões, fui o mediador do debate e, óbvio, não consegui fazer com que o debate transcorresse de forma séria. Não adiantou nem mesmo ter colocado o som do meu microfone mais alto do que o dos demais...
Além disso, tinha o “grito do peru”, realizado dias antes da peruada, no qual os participantes invadiam as classes, interrompendo a aulas, subiam na mesa do professor, todo mundo cantando e dançando, muitas vezes com uma banda de música e com o Vitão segurando um peru (vivo).
Muito divertido também era o “bota fora do quinto ano”. Semelhante ao grito do peru, era realizado pela turma que estava prestes a se formar, no final do quinto ano do curso. No meu ano, por coincidência, justamente no dia do “bota fora” à noite, a Academia de Letras (da qual, na prática, eu não mais participava) estava realizando um evento musical no Salão Nobre da Faculdade, com um quarteto de cordas ou algo assim. Nós estávamos fazendo a maior folia com uma escola de samba, acho que era a Vai-Vai, com mulatas sambando, percussão etc. Evidentemente, invadir o Salão Nobre seria o máximo. Só que um segurança da Faculdade estava na porta e conseguiu, sozinho (!), bloquear a entrada da turma toda e dos sambista. Um colega de turma, malhadão, tentou tirar o segurança no braço, mas não conseguiu. Nessa hora o concerto já tinha sido interrompido por causa da nossa algazarra. Não fosse o bastante, nós entramos pela janela do Salão Nobre, ficamos sentados nas primeiras fileiras e cantamos em coro:
- Foda-se o concerto!.. Foda-se o concerto!..
Os músicos do quarteto de cordas, por óbvio, ficaram indignados com esse evento e saíram putos da vida do salão, dizendo que jamais voltariam à São Francisco.
Enfim, essa era a vida acadêmica da São Francisco. Não sei como é hoje. Para mim, a parte boa da Faculdade, sem dúvida alguma, foi a vida acadêmica. Como mais tarde vim a ter contato com alunos de outras faculdades, fiquei com a impressão de que a minha foi muito boa mesmo, ao menos no que se refere à curtição.

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